O Estigma
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O Estigma[1] :

Desvendando o segredo da lança que profanou o corpo de Jesus

Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza. (Allan Kardec)

Neste trabalho de ficção, é recriado o episódio da crucificação de Jesus e a saga do legionário Maximus, que O teria golpeado com sua lança e validado, embora sem ter esse propósito, o cumprimento das antigas profecias, especialmente o vaticínio sobre o Messias. Aquele ato do soldado romano, em singular ambientalização e sob visão espiritualista, teria provocado intensos desdobramentos espirituais, que se manifestariam nos ciclos de vida posteriores.

Aqui encontramos um jovem casal na plenitude de sua vivência apaixonada, mas o amor não os imunizava dos efeitos de forças invisíveis, emanadas de situações não resolvidas em ciclos de vida anteriores, e que seriam debeladas mediante a aplicação da Terapia de Vidas Passadas, considerada, neste caso, como recurso terapêutico desvinculado de quaisquer ritualismos ou conotações religiosas.

Participam da trama o advogado Marcos, a médica Regina, o médium e parapsicólogo Marsilac e o psiquiatra Ivan Della Rocca. Esses profissionais se embrenharam em um contexto transcendente ao cotidiano, para pesquisar as origens do estranho sofrimento físico do advogado, e esclarecer o agressivo procedimento de algumas pessoas com quem ele tivera contato.

Então surge, de maneira aparentemente casual, um misterioso garoto, de 10 ou 12 anos, vestido com um manto puído, inconsútil, com ferimentos na testa, nas mãos, nos pés e no flanco direito do corpo, que se torna a chave para desvendar o impenetrável mistério que cerca os personagens.

Oculto entre os modernos monumentos de Jerusalém, Marcos localizou, com a ajuda do menino, o antigo monte Gólgota, de triste lembrança, no bojo do qual jazia, entranhada, a origem de seu sofrimento. Nesse local desolador, ele iniciou uma viagem mística, adentrando os domínios do chamado "mundo paralelo", e encontrou, no espólio dessa tétrica herança, o caminho para a anulação do estigma que maculava sua existência, e a possibilidade de reencontro da felicidade ameaçada.

No capítulo assinado "A mensagem no túmulo vazio", é descrita uma conjectural mensagem, sob a forma de um lenço dobrado, que Jesus teria deixado em seu sepulcro, para reafirmar sua volta. Essa versão se harmoniza com o texto bíblico, onde consta que o lenço encontrado ao lado do pano de linho que cobriu o corpo de Jesus encontrava-se dobrado[2], reforçando assim a hipótese de que se tratava de uma mensagem nos moldes da época, ou um indicativo da promessa de Sua ressurreição.

Incidentalmente, alguns personagens do romance "O Refúgio, de lavra do autor, também visitam esta narrativa. Por se tratar de criação imaginária, alguns episódios podem exigir maior atenção dos leitores para a correta compreensão de sua mensagem, que flui livre de quaisquer amarras, direcionamentos ou intransigências de origem sectária.

Boa leitura!

Pode ser adquirido na Editorial Paco:

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Segue: 

Resenha elaborada pela Dra. Alexandra Vieira de Almeida, Doutora em Literatura Comparada.

    O Estigma, que tem como subtítulo Desvendando o segredo da lança que profanou o corpo de Jesus pretende desenvolver ao longo da obra a construção do indivíduo a partir de um conflito inicial que ocorre logo no primeiro capítulo. Não é por menos, as duas primeiras partes têm como título o nome de pessoas, começando pela personagem Regina, uma médica bem-sucedida que nas suas horas mais plenas faz caridade. O outro capítulo leva o nome de Marcos, a personagem principal desta história bem intrincada que também como sua amada Regina tem sucesso na sua carreira como advogado e realiza atos de puro benefício ao próximo.

    Mas no meio de tanto equilíbrio, surge a crise, o desequilíbrio necessário para a criação de uma essência, o ser. Por que a personagem Regina aparece logo na primeira parte e não o personagem principal? Há uma estratégia do narrador que é mostrar que mesmo na construção desta individualidade, há a lei da complementariedade, o dois. É preciso haver o diálogo para a recriação do ser. Recriação esta que requer a linguagem como formação da psique.
    O livro é dividido em 33 capítulos, um ato narrativo simbólico que demonstra por aqui não o diálogo entre indivíduos, mas entre tradições, o texto bíblico, de conteúdo religioso e a literariedade na recondução da ambientalização bíblica no jogo ficcional deste livro bem arquitetado. As 33 partes apontam para o amadurecimento da consciência como na idade de morte e ressurreição de Jesus Cristo que passa por um périplo de sofrimento e redenção da humanidade. Redimir é a palavra-chave deste livro, pois a crise inaugural de Marcos exatamente no aniversário de 33 anos é a dor de toda humanidade, como metonímia do universal, Marcos figurativamente sofre uma dor na região do corpo onde numa vida passada ele teria perfurado com uma lança na crucificação o flanco direito de Jesus.
    Maximus era seu nome no passado, um legionário que obedece a uma ordem para cumprir um desígnio que feria sua individualidade. Como o externo modifica o princípio humano. Como o status quo desafia nossa essência é o que o narrador de forma reflexiva revela para os leitores. A aparente ordem do poder só mostra uma máscara superficial. Por trás da ordem estabelecida, encontram-se a irracionalidade e a desordem beirando ao caos daquilo que é genérico e esconde nossa verdadeira qualidade.
    O literário bem engendrado por Mário de Méroe é resgatar o humano nas personagens envolvidas em um fato em outra época. Várias soluções são apresentadas, o amor do casal Marcos e Regina, a terapia de vidas passadas, o aparecimento de um menino misterioso que conduzirá Marcos para seu passado no Monte Gólgota, onde ele terá uma visão narrativa de tudo que o levou para a crise atual. A rememoração de fatos interligados na época de Cristo leva a uma recondução na vida do indivíduo. O passado é visto como solução de uma crise da personagem que passa por sofrimentos, não só físicos, mas morais, pois várias personagens que circulam em torno dele reagem agressivamente com relação a ele, sem um motivo aparente.
    O término de uma crise simbólica na vida de Marcos e das pessoas envolvidas em torno dele leva o leitor a reafirmar sua qualidade de humanidade, o conflito necessário é de todos nós que passamos por inúmeras peripécias até a reconstrução de uma consciência madura, não afetada pelos ditames do poder vigente. O livro todo é construído como um mistério, como na liturgia, que apresenta seu lado mais cotidiano entremeado pelo simbolismo da fé. A literatura de Mário de Méroe acorda este mistério no ser. Marcos parte do desconhecido para o conhecido. Desvendar os enigmas sempre foi a questão insistente do ser, que busca sair do superficial, da aparência, para descortinar o véu da memória, ultrapassá-la pela chama da interioridade. O indivíduo cumpre o ritual imemorial do ser que se esconde nas camadas complexas da linguagem. O domínio que o autor tem da língua é magistral em sua narrativa que mostra um conhecimento aguçado da tradição, dos textos antigos, conhecimentos vários que se cruzam nas malhas do texto poético que se define aqui neste livro rico e bem estruturado como costura de tecidos vários e refinados para o deleite do leitor inteligente.
    O último capítulo, o 33, "A maldição extinta" é o término de uma dor universal, os enigmas são solucionados, as dores são dissolvidas, o mistério é trazer para perto do leitor uma recondução para a vida, o constructo da chave para o indivíduo, a partir de uma crise necessária, o que é mais humano é resgatado no diálogo pleno entre signo e sujeito, entre os próprios sujeitos, entre conhecimentos diversos e o que é mais livre de tudo, no interior de cada pessoa, tanto pelo lado do narrador como de quem lê esta história metaforicamente bem elaborada.
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