La Teocrazia Bizantina in Italia
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La Teocrazia Bizantina in Italia

Estudos sobre os atributos de soberania das Dinastias Teocráticas de direito histórico, em exílio.

Ao lado, capa da obra original em italiano, veiculado na Itália, em janeiro de 2011. 

OBS. Não editado no Brasil.

Mário de Méroe 

In Memoriam 

Arlete Piccioni Silvestre

Duquesa de Méroe
02/11/1943 - 07/08/2009

(...), e o que falta não se pode calcular.
(Eclesiastes 1: 15) 

Preâmbulo 

Notas:

Desde o início dos tempos, o homem preocupou-se em registrar as ocorrências que afetam a vida da comunidade, desde fenômenos naturais, como tempestades, secas prolongadas, inundações[1]. Há notícias de que os sacerdotes da antiga Suméria[2] controlavam os estoques de mantimentos dos templos e sua "contabilidade", em plaquetas de argila, com sua escrita conhecida como cuneiforme (em forma de cunha). 

Também eram anotadas as ocorrências provocadas pelo próprio homem, como guerras, invasões, domínio de outros povos ou submetimento a estes, etc. Mereceram especial atenção dos registradores, os acontecimentos litúrgicos, as coroações de soberanos, as festividades nacionais, entre outros.

Esse hábito desenvolveu-se até nas civilizações ágrafas[3], que perpetuaram sua arte, costumes e cultura através da tradição oral, transmitindo-se de geração em geração, geralmente através dos mais velhos das tribos. Talvez esse costume tenha gerado o provérbio africano segundo o qual toda uma biblioteca desaparece quando um ancião morre.

A tradição oral, em si, pode gerar insegurança quanto aos relatos de civilizações desaparecidas. Mas estes podem ser confirmados ou esclarecidos por estudos da mitologia, da arqueologia, da linguística, cartografia, e também com os recursos da etno-historia.

Embora os sumérios sejam considerados os precursores dos registros escritos, coube aos romanos torna-los mais práticos. Segundo Schwartsman[4], foram os romanos que deram sistematização às práticas notariais, cujas linhas gerais permanecem em uso até hoje. Conforme esse autor, os romanos separaram os registros de interesse público, dos registros de interesse privado, sendo os primeiros praticados pelos notários, e os segundos pelos tabeliães.

Esses preciosos registros, verdadeiras relíquias arqueológicas, teriam desaparecido, pela erosão dos tempos, pelas guerras e consequentes destruições, se não fosse o empenho de algumas instituições, especialmente as corporações religiosas, que os conservaram e traduziram para os mais variados idiomas, propiciando que ainda hoje, sejam conhecidos e estudados. A humanidade de hoje possui o conhecimento de suas antigas tradições graças ao trabalho das antigas Igrejas e missões religiosas, que reconheceram o valor desses registros rústicos, e os conservaram através dos séculos, permitindo que seu conteúdo seja conhecido dos estudiosos da atualidade.

O renomado historiador, Prof. Mário Curtis Giordani, em obra memorável[5], assim anotou:

O mais vivo e atuante legado de Bizâncio é sem dúvida, a Igreja Ortodoxa, cujos quadros hierárquicos sobreviveram à queda do Império e resistiram de modo admirável às vicissitudes históricas de cinco séculos.

Na própria Turquia.....e em muitas outras regiões do globo encontramos a ortodoxia com sua pompa litúrgica, com seus ícones.....com seus mosteiros, com toda sua espiritualidade que constitui um eloquente testemunho da persistência da tradição doutrinária dos apóstolos conservada e admiravelmente desenvolvida e explicadas pelos gênios da Patrística Grega, e sobretudo pelos solenes concílios ecumênicos que providencialmente impediram a desintegração da fé cristã ameaçada em seus fundamentos trinitários e cristológicos. Quantos cristãos, que hoje possuem uma crença tranquila na SS. Trindade e na divindade de Cristo ignoram, à falta de uma sadia perspectiva histórica, o que realmente devem àquelas magnas assembleias reunidas à sombra do poder dos basileus bizantinos. (negritamos)

Entre essas instituições, cujos abnegados membros se dedicaram à manutenção e conservação desses preciosos documentos, destacamos o trabalho da Santa Igreja Apostólica Primitiva Católica e Ortodoxa[6], na qual enfocamos esta pesquisa.

A par de sua marcante atuação pastoral, que se expandiu pelas mais variadas regiões do mundo conhecido, a Santa Igreja Apostólica Primitiva Católica e Ortodoxa de rito Sírio Bizantino, atualmente com sede patriarcal no Brasil, e unidades autônomas (autocefalias) em diversos países, concede, ainda, inestimável contribuição à cultura universal, em seu dedicado trabalho arquivístico de guarda, manutenção e restauração de registros multisseculares, que encerram preciosos documentos e informações sobre a vida, cultura e história de povos já desaparecidos, no panorama atual da humanidade.

No acervo desse monumental conjunto de documentos, composto por milhares de registros históricos, alguns até manuscritos, o pesquisador depara-se com surpreendentes notas e apontamentos, nos quais encontram-se descritas as sagas de muitas dinastias já esquecidas, no contínuo evoluir dos tempos, cuja estrutura de poder, crônicas de atos soberanos, sucessões dinásticas, glória, triunfos e tragédias, atas, diplomas, atos dinásticos de galardoamento ou reguladores de sucessão, criteriosamente catalogados, alcançaram sua imperecibilidade nos autos e nos escaninhos desse legendário arquivo.

Discorrer sobre o grandioso acervo, em sua totalidade, seria tarefa de imensa envergadura, que exigiria, para sua execução, considerável estrutura material e de pessoal, o que inviabilizaria, para nós, tal empreendimento.

Nosso estudo desenvolveu-se a partir de documentos de base, dinásticos e eclesiais, em progressão lógica e cronológica, da fonte histórica inicial até a atualidade.

Seguindo a metodologia que já adotamos em trabalhos anteriores, a título de esclarecimentos, iniciamos por conceituar alguns termos e expressões encontradas nas fontes de pesquisa e nos documentos consultados, aos quais faremos referência, no decorrer do texto.

Externamos nossos agradecimentos a diversos chefes dinásticos, cujos nomes omitimos para preservação de sua privacidade, pela gentileza de nos permitir o exame dos documentos sob sua guarda, o que viabilizou a elaboração deste despretensioso trabalho.

Rogamos vênia para fazer constar que, em meio às alegrias de haver concluído essa fascinante pesquisa, houve por bem o destino em golpear duramente nossa família, recolhendo ao seio de Deus minha companheira de pesquisas históricas e jurídicas, mãe de nosso filho Giuliano e esposa venerada, que faleceu em 07 de agosto de 2009. Desde então, perseveramos em nosso árduo caminho sem ela, pois como registrou o livro sagrado dos cristãos:

(...), e o que falta não se pode calcular. 

(Eclesiastes 1: 15) 


Notas:

[1] As famosas "cheias" anuais do rio Nilo, no Egito, eram meticulosamente anotadas pelos escribas e funcionários encarregados desse setor, na administração do Império.

[2] Os nômades Sumérios foram os primeiros habitantes da região da Mesopotâmia, região compreendida entre os rios Tigre e Eufrates, atual Iraque.

[3] Cultura não escrita. Diz-se dos povos que transmitiam suas condutas e experiências pela oralidade.

[4] Schwartsman, Hélio, Cartórios têm origem na Suméria, Folha de São Paulo, caderno Brasil, fls. A-4, edição de 10 de junho de 2009, quarta-feira.

[5] Giordani, Mário Curtis, História do Império Bizantino, ed. Vozes, Petrópolis, Brasil, 1977, p.288

[6] Rito Sírio-Bizantino. A Igreja é integrante da Teocracia Ecumênica, sob orientação da Casa Imperial dos Romanos - Domus Augusta. A Teocracia Ecumênica é sucessora histórica e canônica da antiga Teocracia Bizantina.